Sustentabilidade na cadeia de fornecimento: como estruturar processos para reduzir riscos

Sustentabilidade passou a ser tratada como um fator operacional e de risco, com impactos diretos sobre continuidade, conformidade regulatória e reputação. Nesse cenário, estruturar processos claros na cadeia de fornecimento deixou de ser uma escolha e se tornou uma condição para reduzir exposições, evitar rupturas e atender às exigências de diferentes stakeholders.

De acordo com o  Panorama de Sustentabilidade Corporativa 2025, desenvolvido pela AMCHAM e empresa Humanizadas, 72% dos executivos participantes afirmam que sustentabilidade faz parte da estratégia de negócio. Consequentemente, 76% das empresas já adotam práticas sustentáveis com algum grau de maturidade, representando um salto de 5 pontos percentuais em relação ao ano anterior.

Esses números ressaltam que a agenda sustentável é cada vez mais impulsionada por investidores, consumidores e cadeias de valor globais.  Isso aumenta ainda mais a responsabilidade das grandes companhias que encabeçam esse ecossistema e buscam manter a competitividade no mercado.

Nesse contexto, onde as exigências são crescentes por transparência e responsabilidades, é impossível falar de sustentabilidade sem integrar a cadeia de fornecimento nas ações.

No blog Gedanken de hoje mostramos como as empresas podem estruturar essa integração de forma prática e estratégica, conectando sustentabilidade, gestão de fornecedores e mitigação de riscos.

Leia também: Cadeia de Suprimentos Sustentável: quais os benefícios e como implementar?

Por que a cadeia de fornecimento se tornou o principal foco dos riscos ESG?

A intensificação das exigências ESG mudou a forma como as empresas são avaliadas pelo mercado. Reguladores, clientes, investidores e parceiros passaram a exigir não apenas boas práticas internas, mas também visibilidade e controle sobre toda a cadeia de fornecimento.

Grande parte dos riscos ESG, como violações trabalhistas, impactos ambientais, falhas de compliance ou falta de integridade, surge fora da empresa, nos fornecedores e parceiros comerciais. Ainda assim, os impactos recaem diretamente sobre a organização contratante.

Embora é sabido que essa prática é imprescindível, a realidade é mais desafiadora. Um levantamento feito pela ISS Corporate, especializada em consultoria de Governança Corporativa  aponta que aproximadamente 29% das 8.231 empresas de capital aberto cobertas globalmente pela ISS divulgam emissões de Escopo 3 (que referem-se às emissões indiretas de gases de efeito estufa de uma empresa realizada por terceiros (entre eles fornecedores).

O ponto de partida: entender onde estão os riscos 

Estruturar processos sustentáveis para reduzir riscos começa pelo diagnóstico. Antes de definir políticas, critérios ou ferramentas, é fundamental compreender o cenário atual da cadeia de fornecimento, que pode ser feito por meio de algumas etapas como:

  1. Mapeamento de fornecedores críticos e categorias mais sensíveis

Nem todos os fornecedores representam o mesmo nível de risco para o negócio. Alguns podem ser facilmente substituídos, enquanto outros são essenciais para a continuidade das operações, seja pela dependência técnica, pelo impacto financeiro ou pela criticidade do serviço prestado.

O mapeamento de fornecedores críticos tem como objetivo dar visibilidade às principais exposições da cadeia de fornecimento, identificando aqueles cuja interrupção pode gerar impactos relevantes, assim como categorias com maior concentração de riscos ESG. É o caso de empresas associadas a práticas trabalhistas irregulares, atividades de alto impacto ambiental ou operações fortemente reguladas.

Ao estruturar esse mapeamento, a empresa consegue identificar dependências e vulnerabilidades operacionais, priorizar categorias e fornecedores mais expostos a riscos ESG e direcionar esforços de análise, diligência e monitoramento de forma proporcional ao risco envolvido.

Com os recursos concentrados onde o risco é maior, a organização fortalece sua governança, reduz a probabilidade de rupturas e cria uma base mais sólida para integrar a sustentabilidade à gestão da cadeia de fornecimento de forma estratégica.

  1. Avaliação da maturidade dos fornecedores em sustentabilidade

Identificar quem são os fornecedores críticos é apenas o primeiro passo. O desafio de verdade começa quando a empresa precisa avaliar se esses fornecedores estão preparados para atender às exigências de sustentabilidade e aos riscos ESG que impactam diretamente a continuidade do negócio.

A avaliação da maturidade em sustentabilidade mede até que ponto um fornecedor possui políticas, práticas estruturadas, controles internos e capacidade de fornecer informações confiáveis com evidências auditáveis. 

Em 2026, essa avaliação é crítica não apenas para mitigar riscos operacionais, mas também para atender a requisitos regulatórios que exigem transparência e conformidade ao longo de toda a cadeia.

Mas o que significa na prática?

Essa avaliação incluir entender quesitos específicos do fornecedor que incluem: 

Existem práticas estruturadas e mensuráveis?
Não se trata apenas de dizer que “faz sustentabilidade”, mas de ter indicadores, metas e resultados claros.

Há controles internos e governança que sustentam essas práticas?
Políticas sem controles operacionais e sem auditoria interna deixam a empresa exposta.

O fornecedor é capaz de fornecer dados confiáveis e verificáveis?
Informações precisas, atualizadas e comprováveis são essenciais para reduzir riscos e responder a auditorias ou due diligence de grandes clientes.

  1. Definição de requisitos ESG proporcionais ao risco

Fornecedores críticos ou mais expostos a riscos ESG exigem um nível maior de diligência, enquanto fornecedores de menor impacto podem ser avaliados de forma mais simplificada. Essa abordagem permite:

  • Foco nos riscos reais;
  • Maior eficiência operacional;
  • Melhor aderência às exigências regulatórias.

É importante ressaltar que os requisitos definidos devem considerar não apenas as políticas internas, mas também o contexto regulatório e as exigências de clientes e parceiros comerciais.

Sustentabilidade, nesse cenário, deixa de ser subjetiva. Ela precisa ser mensurável, justificável e auditável, reduzindo incertezas e facilitando respostas a auditorias e fiscalizações.

Monitoramento contínuo para uma gestão eficiente

Avaliações pontuais não acompanham mudanças de cenário, evolução dos fornecedores ou novas exigências regulatórias.

Empresas que estruturam o monitoramento com base em checklists claros e indicadores objetivos conseguem reduzir incertezas, antecipar riscos e demonstrar diligência de forma consistente  especialmente em contextos regulatórios e auditorias.

Mas o que monitorar? Veja alguns exemplos:

Indicadores ambientais

  • Percentual de fornecedores com licenças ambientais válidas;
  • Existência de políticas de gestão ambiental;
  • Ocorrência de autos de infração ou sanções ambientais;
  • Uso de recursos naturais (quando aplicável) ou metas de redução de impacto
  • Certificações ambientais relevantes (ex.: ISO 14001)

Indicadores sociais

  • Existência de políticas de saúde e segurança do trabalho
  • Número de ocorrências trabalhistas relevantes
  • Evidências de combate a trabalho infantil, forçado ou análogo ao escravo
  • Programas de capacitação e segurança
  • Indicadores de acidentes ou afastamentos (quando aplicável)

Indicadores de governança e compliance

  • Existência de código de ética e conduta
  • Políticas anticorrupção e canais de denúncia
  • Ocorrência de sanções legais, processos ou listas restritivas
  • Transparência e consistência no fornecimento de informações
  • Resultados de auditorias ou avaliações de compliance

O mais importante não é apenas coletar os dados, mas transformá-los em insumos para decisão. Indicadores devem alimentar classificações de risco, orientar planos de ação e apoiar decisões de continuidade, bloqueio ou desenvolvimento de fornecedores.

O papel da tecnologia na gestão de riscos e sustentabilidade da cadeia

À medida que a cadeia de fornecimento se torna mais complexa, controles manuais e planilhas deixam de ser suficientes. A tecnologia passa a ser essencial para sustentar processos de avaliação, monitoramento e governança.

Soluções robustas permitem centralizar informações de fornecedores, automatizar análises e atualizações, garantir rastreabilidade e histórico de dados e apoiar decisões baseadas em risco.

Sem processos estruturados e dados confiáveis, a sustentabilidade na cadeia de fornecimento se torna frágil e difícil de manter no longo prazo.

Conheça nossa solução de Gestão de Sustentabilidade e monitore as práticas sustentáveis de seus fornecedores.

Conclusão

Em 2026, integrar sustentabilidade à cadeia de fornecimento é, acima de tudo, uma estratégia de redução de riscos. Empresas que estruturam processos claros, baseados em dados, critérios proporcionais e monitoramento contínuo conseguem responder melhor às exigências regulatórias e às pressões do mercado.

Mais do que cumprir requisitos, essas empresas fortalecem sua governança, protegem sua reputação e preparam o negócio para um ambiente cada vez mais exigente e interconectado.

Conte com a Gedanken para este desafio. Por meio da nossa solução de Gestão de Sustentabilidade, sua empresa consegue ter uma visão clara e objetiva da evolução das práticas sustentáveis de sua base de fornecedores em todos os pilares ESG para que possa atuar de maneira focada nas melhorias essenciais para cada fornecedor. 

Clique aqui e converse com nossos especialistas para transformar a gestão de sustentabilidade da sua empresa em 2026.

Gedanken
Gedanken