
A Reforma Tributária representa uma das maiores mudanças no sistema de tributação sobre o consumo das últimas décadas, substituindo ICMS, ISS, PIS e Cofins por um novo modelo baseado na Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e no Imposto sobre Bens e Serviços (IBS).
Embora a implantação seja gradual, o segundo semestre de 2026 configura como uma etapa importante de preparação para as empresas que ainda não olharam esse tema desde o início do ano. Para a área de Compras, essa preparação vai além da revisão de contratos ou da adaptação de processos internos: ela passa pelo fortalecimento da gestão de fornecedores, que tende a assumir um papel ainda mais estratégico durante toda a transição.
Quanto maior a maturidade sobre a gestão de risco de fornecedores e visibilidade sobre a cadeia, maior a capacidade de antecipar riscos, apoiar negociações e tomar decisões que acarretam em impactos à rentabilidade da empresa
Vale ressaltar que adiar esse planejamento significa reduzir o tempo disponível para conhecer melhor seus fornecedores e preparar a empresa para responder às mudanças de forma mais segura.
O cronograma da Reforma Tributária foi estabelecido pela Emenda Constitucional nº 132/2023 e regulamentado pela Lei Complementar nº 214/2025, que definem as regras para a implementação gradual do novo sistema tributário.
Por que a Reforma Tributária entrou na agenda de Compras?
Decisões tomadas pela área de Compras influenciam diretamente contratos, negociações, custos de aquisição e escolha de fornecedores.
E embora preço, margem, condições comerciais e estratégias de abastecimento fazem parte da rotina da área, quando a estrutura tributária muda, os critérios utilizados nessas decisões também podem precisar ser revisados.
A pesquisa Tax do Amanhã 2026, da Deloitte, mostra que quase 60% das empresas consultadas apontam a necessidade de administrar simultaneamente os dois sistemas tributários durante a transição como a principal preocupação do período. As discussões sobre preços e margens com fornecedores aparecem entre os principais pontos de atenção, citadas por 39% das empresas.
Esses resultados refletem uma preocupação comum entre organizações de diferentes setores. No entanto, a intensidade dos impactos tende a variar conforme fatores como segmento de atuação, estrutura tributária, perfil dos fornecedores e características da cadeia de suprimentos.
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Como preparar sua área de Compras ainda em 2026
Em 2026 teve início a fase de transição para o novo sistema tributário. Nesse período, CBS e IBS passam a aparecer nos documentos fiscais em caráter de teste, enquanto o modelo atual continua em vigor. A implementação efetiva ocorrerá de forma gradual nos anos seguintes, conforme o cronograma previsto na legislação.
Para a área de Compras, 2026 é a oportunidade para construir uma visão mais estruturada da cadeia de fornecedores. Como ponto de partida, esse trabalho pode ser organizado em quatro eixos principais: fornecedores estratégicos, contratos críticos, situação fiscal e cadastral e capacidade de adaptação ao novo modelo tributário.
1. Identifique fornecedores estratégicos e categorias críticas para o negócio
O primeiro passo é entender quais fornecedores exercem maior influência sobre a continuidade das operações. Nem sempre o maior risco está concentrado nos contratos de maior valor: fornecedores com poucas alternativas de substituição ou que atendem processos críticos também merecem atenção especial.
Essa análise deve considerar fatores como criticidade operacional, concentração de riscos, dependência da cadeia e impacto potencial sobre o negócio. Ao priorizar os parceiros mais relevantes, a área de Compras consegue direcionar seus esforços para onde a gestão de fornecedores gera mais valor.
2. Revise informações fiscais, cadastrais e financeiras dos fornecedores
Depois de identificar os fornecedores prioritários, é importante avaliar a qualidade das informações que sustentam as decisões da área. É o momento de identificar inconsistências cadastrais, alterações no quadro societário e informações que possam comprometer a visibilidade sobre a cadeia de fornecimento.
3. Avalie riscos de glosas de crédito tributário na cadeia de fornecedores
A Reforma Tributária também amplia a necessidade de atenção sobre a regularidade dos fornecedores, já que inconsistências fiscais podem impactar o aproveitamento de créditos tributários pela empresa contratante.
Fornecedores com pendências fiscais, irregularidades ou classificados como devedores contumazes podem gerar impactos financeiros e operacionais, especialmente durante o período de transição.
Por isso, além de avaliar preço, prazo e capacidade de entrega, a homologação de fornecedores deve considerar informações que ajudem a antecipar riscos tributários e garantir maior segurança nas relações comerciais.
4. Analise o impacto dos regimes tributários dos fornecedores
Identifique quais parceiros podem ser mais impactados pelas mudanças e quais categorias exigirão uma análise mais detalhada.
Como o regime adotado pelos fornecedores pode influenciar a forma como os custos e créditos tributários serão analisados pela empresa, é importante buscar maior visibilidade sobre a composição da sua base de fornecedores.,
Assim você antecipa possíveis alterações na cadeia de fornecimento, apoia negociações futuras e evita decisões baseadas apenas no valor comercial dos contratos.
5. Revise contratos que permanecerão vigentes durante a transição
A Reforma Tributária terá uma implementação gradual até 2033. Por isso, gestão de contratos de longo prazo merecem atenção especial, principalmente aqueles que continuarão produzindo efeitos durante esse período.
Vale avaliar se existem cláusulas que possam exigir revisões futuras em função das mudanças tributárias ou da necessidade de adequação entre as partes. Essa análise ajuda a reduzir incertezas e cria uma base mais sólida para negociações.
6. Estruture processos, sistemas e monitoramento contínuo da cadeia de fornecedores
O diagnóstico realizado em 2026 não deve ser encarado como um projeto pontual, mas como o início de uma estratégia permanente de gestão de fornecedores.
Ao longo da transição, a situação fiscal, cadastral e financeira dos parceiros pode mudar em razão de alterações societárias, pendências fiscais ou mudanças de enquadramento tributário. Nesse contexto, entender a saúde fiscal dos seus fornecedores deixa de ser apenas uma etapa inicial de qualificação e passa a integrar um processo contínuo de gestão de fornecedores, gestão de riscos e monitoramento da cadeia.
Para transformar esse acompanhamento em uma preparação efetiva para 2027 diante da Reforma Tributária, a área de Compras deve:
- Analisar a adequação dos fornecedores com base em evidências reais da operação, utilizando documentos fiscais emitidos e informações transacionais, e não apenas declarações fornecidas pelos próprios parceiros.
- Priorizar a análise conforme a criticidade da cadeia, concentrando esforços em fornecedores estratégicos, de alto impacto financeiro ou com baixa possibilidade de substituição.
- Incluir a preparação tributária dos fornecedores na gestão de riscos da cadeia, estabelecendo comunicação, acompanhamento e planos de adequação para parceiros críticos.
- Manter uma rotina contínua de monitoramento, acompanhando mudanças fiscais, cadastrais e operacionais que possam afetar a relação comercial ao longo da transição.
Também é importante avaliar se os sistemas utilizados pela área de Compras estão preparados para registrar e integrar as novas informações exigidas pela transição tributária, garantindo consistência entre Compras, Fiscal e Financeiro.
2027 e 2028: preços, contratos e competitividade no radar
Em 2027, a Reforma Tributária começa a gerar impactos mais concretos nas relações comerciais da área de Compras. Com a entrada da CBS e a substituição gradual do modelo atual, pedidos de reajuste e renegociações contratuais precisarão ser analisados com maior profundidade.
A pergunta central deixa de ser apenas “qual é o percentual de aumento solicitado pelo fornecedor?” e passa a ser: “quais fatores estão influenciando essa alteração de preço?”.
Compras precisará avaliar se os impactos apresentados estão coerentes com as características da operação e com os elementos que realmente afetam aquele fornecimento.
Outro ponto que ganha relevância é a exposição da empresa aos riscos tributários da cadeia. Com a nova dinâmica de créditos tributários, fornecedores com classificados como devedores contumazes podem representar impactos mais diretos, inclusive relacionados ao aproveitamento de créditos.
A área também precisará acompanhar se os fornecedores permanecem competitivos ao longo da transição. A análise do custo total de aquisição tende a ganhar ainda mais relevância, considerando não apenas o valor negociado, mas fatores como logística, localização, capacidade de adaptação, nível de serviço, riscos operacionais e capacidade produtiva.
Isso não significa criar um novo modelo de homologação baseado exclusivamente na Reforma Tributária. Significa garantir que os critérios utilizados pela empresa continuem refletindo os fatores que realmente impactam a decisão de compra.
O monitoramento contínuo passa a sustentar decisões da cadeia
Mais do que identificar pendências, acompanhar a evolução dos fornecedores permite perceber mudanças relevantes que podem influenciar contratos, negociações e decisões de abastecimento.
Em empresas com grande volume de fornecedores, realizar esse acompanhamento manualmente tende a se tornar cada vez mais complexo. Nesse cenário, soluções de monitoramento contínuo ajudam a consolidar informações, reduzir esforços operacionais e apoiar decisões baseadas em dados atualizados.
Para tornar esse processo mais ágil e confiável, conheça a solução de homologação e monitoramento de fornecedores da Gedanken.
2029 a 2032: a Reforma pode alterar a configuração da cadeia de fornecedores
Entre 2029 e 2032, a discussão deixa de estar concentrada apenas na adequação dos fornecedores e passa a envolver a própria configuração da cadeia de suprimentos.
Com a substituição gradual do ICMS e ISS pelo IBS, as empresas terão acumulado informações suficientes para avaliar questões estratégicas:
- A concentração de fornecedores em determinada região ainda faz sentido?
- Os custos logísticos continuam competitivos?
- Algum fornecedor perdeu relevância ou competitividade?
- Surgiram alternativas mais eficientes?
- Existem riscos de dependência excessiva de determinados parceiros?
Essas respostas serão diferentes para cada empresa. Por isso, essa etapa não deve ser tratada como uma obrigação de redesenhar toda a cadeia, mas como uma oportunidade para revisar decisões com base em dados acumulados ao longo da transição.
A Reforma pode funcionar como um catalisador para avaliar pontos que já fazem parte de uma boa gestão de fornecedores, como concentração de riscos, dependência de parceiros críticos, custos logísticos e alternativas de abastecimento.
Empresas que iniciaram esse acompanhamento em 2026 tendem a chegar a essa etapa com maior previsibilidade e capacidade de adaptação.
2033: o que Compras precisa ter preparado?
Em 2033, o novo sistema tributário passa a vigorar integralmente. Até esse momento, a expectativa é que Compras tenha amadurecido seus processos de gestão de fornecedores e desenvolvido uma visão mais estruturada da cadeia.
Os contratos estratégicos terão sido revisados, os critérios de homologação estarão mais maduros e as decisões de sourcing serão sustentadas por um histórico consistente de informações.
Esperar até os últimos anos da transição para iniciar esse trabalho significa concentrar decisões críticas em um período reduzido, aumentando o risco de identificar tarde demais mudanças na competitividade, fragilidades na cadeia ou dependências estratégicas.
As empresas que utilizarem esse período de transição para fortalecer seus processos de gestão de fornecedores tendem a chegar ao novo modelo com uma cadeia mais preparada, resiliente e previsível em 2033.
Tecnologia será fundamental para acompanhar a transição
À medida que a Reforma avança, a tendência é que Compras precise direcionar esforços para os fornecedores que realmente representam maior impacto para o negócio.
Nesse contexto, soluções de monitoramento contínuo tornam o processo mais escalável, permitindo identificar alterações relevantes na situação dos fornecedores sem depender exclusivamente de verificações pontuais ou revisões manuais.
Além de apoiar a gestão da Reforma Tributária, essa abordagem fortalece programas de gestão de riscos de fornecedores, oferecendo maior previsibilidade para decisões de compras e contribuindo para uma cadeia de suprimentos mais resiliente.
Do segundo semestre de 2026 a 2033: uma agenda para Compras
A transição será longa, mas a área não precisa esperar para começar.
|
Período |
Marco regulatório |
Ação prioritária de Compras |
| 2026 | CBS e IBS aparecem em caráter de teste nos documentos fiscais | Mapear fornecedores estratégicos, identificar contratos críticos, organizar dados da cadeia e realizar um diagnóstico dos principais riscos |
| 2027 | CBS entra em vigor; PIS e Cofins deixam de existir | Revisar reajustes, avaliar impactos tributários nas negociações e atualizar contratos relevantes |
| 2028 | Consolidação do novo modelo de créditos tributários | Reavaliar critérios de homologação, monitorar mudanças na competitividade dos fornecedores e revisar estratégias de sourcing |
| 2029 a 2032 | ICMS e ISS são substituídos gradualmente pelo IBS. | Avaliar a evolução da cadeia, monitorar riscos fiscais e operacionais e ajustar decisões de abastecimento. |
| 2033 | Novo sistema tributário vigora integralmente | Consolidar processos e operar com uma cadeia preparada, usando os dados acumulados para aprimorar a gestão de fornecedores |
Essas etapas não são compartimentos fechados. Um fornecedor analisado em 2026 continuará sendo acompanhado ao longo dos anos. Um contrato revisado em 2027 poderá exigir novos ajustes posteriormente. E decisões de sourcing poderão evoluir conforme os efeitos da Reforma se tornarem mais claros.
O importante é começar cedo.
Perguntas frequentes sobre Reforma Tributária e Compras
1.Quando a Reforma Tributária começa a afetar a área de Compras?
A preparação já começou em 2026. Esse período é ideal para revisar contratos, processos, sistemas e critérios de avaliação dos fornecedores antes que os impactos comerciais se tornem mais evidentes.
2. O que são CBS e IBS?
CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) são os novos tributos que substituirão, respectivamente, PIS/Cofins e ICMS/ISS ao longo da transição até 2033.
3. Quando a transição da Reforma Tributária termina?
A transição termina final de 2032 e a partir de 2033 o novo modelo baseado em CBS e IBS passa a vigorar integralmente.
4. A Reforma Tributária pode afetar os preços negociados com fornecedores?
Sim. Mudanças tributárias podem influenciar preços e condições comerciais. Por isso, Compras deve avaliar os fatores que justificam reajustes, considerando aspectos tributários, operacionais e estratégicos.
5. Fornecedores do Simples Nacional podem ser impactados pela Reforma?
Sim. Dependendo da operação e da estrutura da cadeia, esses fornecedores podem ter mudanças em sua competitividade. Por isso, é importante acompanhar possíveis impactos sem considerar apenas o regime tributário como critério de decisão.
6. Vale acompanhar a situação fiscal dos fornecedores durante a transição?
Sim. Alterações fiscais, cadastrais ou financeiras podem afetar negociações, contratos e continuidade do fornecimento, principalmente em fornecedores estratégicos.
7. A tecnologia pode ajudar nesse acompanhamento?
Sim. Soluções de monitoramento contínuo ajudam a acompanhar mudanças relevantes na cadeia e apoiam decisões baseadas em dados atualizados.
A Gedanken ajuda empresas a monitorar riscos fiscais e fortalecer a gestão de fornecedores
A Reforma Tributária muda regras, mas o maior desafio para Compras continua sendo tomar boas decisões. Quanto mais cedo sua empresa entender quais fornecedores merecem acompanhamento prioritário, maiores serão as chances de reduzir riscos, negociar com mais segurança e adaptar sua cadeia ao novo cenário tributário.
A Gedanken oferece uma plataforma para homologação e monitoramento de fornecedores que permite acompanhar informações fiscais, cadastrais, financeiras, reputacionais e de compliance em uma única solução. Com monitoramento contínuo e automatizado, sua empresa ganha mais visibilidade sobre mudanças que podem afetar a continuidade do fornecimento, a conformidade e a tomada de decisão.
Ao longo da transição da Reforma Tributária, contar com dados atualizados e processos escaláveis pode fazer a diferença para identificar riscos com antecedência, priorizar análises e construir uma cadeia de suprimentos mais resiliente. Fale hoje mesmo com nossos especialistas.

